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MEI pode conseguir juros menores na compra de veículo novo
Microempreendedores individuais de todo o país, incluindo caminhoneiros autônomos, passam a contar com mais uma porta de acesso ao crédito. O governo federal publicou a MP 1.371/2026, que corrige a redação da MP 1.354/2026 e amplia o acesso a financiamentos com cobertura de até R$ 2 bilhões em garantias do FGI (Fundo Garantidor para Investimentos), voltados à compra de veículos. Antes, o texto limitava o benefício às pequenas e médias empresas. Segundo o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o mecanismo tende a baratear o crédito para esse público: "O FGI funciona como garantidor, reduzindo o risco para os bancos e, consequentemente, podendo contribuir para taxas de juros menores para o tomador. Para um MEI ou pequeno transportador, isso significa uma alternativa de crédito mais acessível para a compra de um veículo, ativo essencial para essas atividades", explicou. Ele observou que os transportadores autônomos e os MEIs sempre estiveram no foco do programa de crédito, mas não apareciam de forma explícita na redação anterior. Com o texto atualizado, as instituições financeiras passam a ter maior segurança jurídica. "Essa maior segurança jurídica é essencial. Antes, havia ambiguidade. Os bancos poderiam hesitar em conceder crédito porque a redação não era clara. Com a correção, há mais segurança para que as instituições financeiras ofertem esses empréstimos. Ainda assim, a efetiva ampliação do acesso dependerá da forma como os bancos conveniados operacionalizarão a linha na prática", afirmou Rodrigo Soares, presidente do Sebrae. Como funciona o FGI O FGI é um fundo garantidor gerido pelo BNDES que assume parte do risco das operações de crédito concedidas pelas instituições financeiras. Com a iniciativa, o governo federal busca facilitar a aprovação de financiamentos para que MEIs, micro e pequenas empresas possam modernizar seus negócios e crescer.

Falta de mão de obra qualificada já atinge 80% dos empregadores no Brasil e muda a gestão
Encontrar profissionais qualificados segue como um dos maiores desafios das empresas brasileiras. A Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, mostra que 80% dos empregadores no Brasil têm dificuldade para preencher vagas com candidatos que reúnam as competências necessárias. O índice está acima da média global, de 72%, e confirma que a falta de talentos deixou de ser um problema pontual para virar um desafio estrutural da gestão empresarial. O levantamento ouviu mais de 39 mil empregadores em 41 países e aponta o Brasil entre os mercados com maior dificuldade de contratação. Serviços profissionais, tecnologia, informação, logística e indústria estão entre os setores mais afetados pela falta de profissionais qualificados. Embora o tema costume ser associado ao mercado de trabalho, seus efeitos vão além do departamento de recursos humanos. A dificuldade de contratar impacta diretamente a produtividade, eleva custos operacionais, atrasa projetos, limita a expansão e compromete o planejamento estratégico das empresas. Para muitos empresários, o desafio já não é só encontrar pessoas para as vagas, mas desenvolver competências que o mercado ainda não oferece na velocidade exigida pela transformação digital. Profissionais com conhecimento em tecnologia, análise de dados, automação, vendas consultivas e atendimento especializado seguem entre os mais disputados. A pesquisa mostra ainda que empresas maiores enfrentam dificuldades mais intensas. Organizações com mais de mil colaboradores registram índices acima da média nacional, o que indica que o problema acompanha o crescimento dos negócios e exige estratégias mais sofisticadas de gestão de pessoas. Nesse contexto, ganham importância as ações de desenvolvimento interno de talentos. Capacitação contínua, programas de requalificação (upskilling e reskilling), mais flexibilidade nas relações de trabalho, investimento em tecnologia e fortalecimento da cultura organizacional passaram a integrar a estratégia de empresas que buscam reduzir a dependência do mercado de contratação. A adoção de inteligência artificial e automação também avança como alternativa para elevar a produtividade das equipes atuais. Em muitas organizações, ferramentas digitais já assumem tarefas operacionais repetitivas, liberando os profissionais para funções estratégicas e de maior valor agregado. De acordo com os contadores e sócios Cleiton Celini e Gledson Alves, a escassez de talentos é hoje um dos principais riscos ao crescimento sustentável das empresas brasileiras. Para eles, empresários que ainda tratam a contratação apenas como responsabilidade do RH tendem a enfrentar dificuldades crescentes, já que a gestão de pessoas se tornou uma decisão estratégica da alta administração, com investimentos em capacitação, retenção, processos mais eficientes e tecnologia para ganhar produtividade sem depender só do aumento do quadro. Os especialistas destacam também que acompanhar os indicadores do mercado de trabalho ajuda a antecipar decisões de expansão, sucessão, investimento e reorganização das equipes. Empresas preparadas para formar talentos internamente costumam responder melhor às mudanças econômicas e às novas exigências do mercado. Perguntas frequentes O que significa escassez de talentos? É a dificuldade das empresas para contratar profissionais com as competências técnicas e comportamentais exigidas por determinadas funções. Quantas empresas enfrentam o problema no Brasil? Segundo a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, 80% dos empregadores brasileiros relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados. Quais setores têm maior dificuldade? Serviços profissionais, tecnologia, informação, logística, indústria e outras atividades que exigem competências técnicas especializadas. Como a falta de mão de obra afeta a empresa? Pode reduzir a produtividade, aumentar custos, atrasar projetos, limitar o crescimento e dificultar a expansão dos negócios. O que as empresas estão fazendo? As principais estratégias incluem capacitação, programas de desenvolvimento interno, retenção de talentos, adoção de IA, automação de processos e mais flexibilidade nas relações de trabalho.

Brasil Mais Simples: governo lança pacote para reduzir burocracia e cortar custos das empresas
O Governo Federal apresentou o Brasil Mais Simples, iniciativa que reúne dez medidas voltadas à simplificação administrativa, à modernização das regras e à integração de serviços públicos. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa envolve diferentes órgãos federais e tem como meta reduzir tempo, custos e burocracia para empresas e cidadãos. Entre as ações estão a ampliação da digitalização de serviços, a integração de plataformas do governo, avanços no Portal Único de Comércio Exterior, a expansão da Declaração Única de Importação (DUIMP), a criação do Portal Único de Infraestrutura da Qualidade, medidas de modernização regulatória e ações para facilitar a relação entre empresas e poder público. Embora parte das novidades tenha efeito imediato sobre quem atua com comércio exterior, o alcance do programa é mais amplo. A proposta é encurtar etapas burocráticas, eliminar exigências repetidas e tornar os processos administrativos mais rápidos e previsíveis, beneficiando empresas de vários segmentos. Um dos exemplos é a evolução do Portal Único de Comércio Exterior. Segundo estimativas citadas pelo governo, a medida pode gerar impacto expressivo na economia ao reduzir o tempo de despacho, os custos logísticos e os trâmites administrativos. A migração para a DUIMP também avança e deve substituir de vez o modelo atual até o fim de 2026. Para o empresário, o principal ganho não está apenas em menos documentos ou formulários. Processos mais simples significam menor custo operacional, mais previsibilidade para investir e menos tempo gasto com obrigações administrativas, permitindo concentrar esforços em atividades estratégicas. Outra medida anunciada foi o fortalecimento do programa Destrava Brasil, dedicado à modernização de órgãos reguladores e à revisão de processos com apoio de tecnologias digitais e inteligência artificial. Também foram apresentadas ações do Inmetro para reduzir custos de acreditação e ampliar o uso de selos digitais, além de iniciativas do Ministério do Trabalho para simplificar serviços a empregadores e trabalhadores. A simplificação regulatória tem sido apontada por entidades empresariais como um dos fatores mais relevantes para elevar a competitividade das empresas brasileiras. Menos burocracia reduz custos indiretos, acelera decisões de investimento e melhora o ambiente de negócios. De acordo com os contadores e sócios Cleiton Celini e Gledson Alves, iniciativas de simplificação administrativa produzem resultados mais expressivos quando acompanhadas de uma boa organização interna das próprias empresas. Para eles, reduzir a burocracia do governo é um avanço importante, mas os empresários também precisam investir na simplificação dos seus processos. Empresas que usam tecnologia, mantêm informações organizadas, padronizam rotinas e acompanham mudanças regulatórias tendem a converter os ganhos administrativos em mais produtividade, menor custo e maior capacidade de crescer. Os especialistas lembram ainda que programas desse tipo costumam ter efeito gradual. À medida que novos sistemas entram em operação e os órgãos públicos ampliam a integração entre suas bases de dados, as empresas mais preparadas conseguem aproveitar os benefícios com maior rapidez. Perguntas frequentes O que é o programa Brasil Mais Simples? É uma iniciativa do Governo Federal que reúne medidas para reduzir burocracia, integrar sistemas públicos e simplificar processos administrativos que afetam empresas e cidadãos. Quais empresas podem ser beneficiadas? Empresas de diferentes portes e setores, especialmente as que dependem de processos administrativos, licenciamento, comércio exterior e relacionamento frequente com órgãos públicos. O programa reduz impostos? Não. O foco é simplificar procedimentos administrativos, reduzir custos operacionais ligados à burocracia e aumentar a eficiência dos serviços públicos. O que muda para quem atua com importação e exportação? A continuidade do Portal Único de Comércio Exterior e da DUIMP tende a reduzir etapas, integrar informações e diminuir tempo e custos nas operações. O empresário deve esperar mudanças imediatas? Algumas medidas já estão em andamento e outras serão implementadas aos poucos; por isso é importante acompanhar as atualizações dos órgãos responsáveis.

Produtividade é o principal ganho da IA para 58,7% das pequenas e médias empresas
A inteligência artificial vem ajudando pequenas e médias empresas brasileiras a produzir mais, segundo pesquisa da Serasa Experian. No levantamento, 58,7% das PMEs que já usam a tecnologia ou pretendem adotá-la indicaram o aumento de produtividade como o principal benefício alcançado com a IA. O estudo foi realizado entre maio e junho de 2026 e ouviu 1.565 pequenas e médias empresas de todas as regiões do país. Além da produtividade, os empresários citaram a automação de processos, a redução de custos e a melhora no atendimento ao cliente entre as vantagens mais percebidas. Produtividade lidera os benefícios apontados Entre as empresas que já utilizam IA ou têm interesse em implementá-la, o ganho de produtividade foi o item mais mencionado, com 58,7% das respostas. Na sequência apareceram a automação de tarefas (35,9%), a redução de custos (34,2%), a melhoria no atendimento ao cliente (27,1%), o apoio à análise de dados (23,7%) e o aumento das vendas (20,1%). Os números sugerem que a tecnologia tem sido empregada sobretudo para otimizar rotinas internas e apoiar decisões nas empresas de menor porte. Falta de conhecimento ainda freia a adoção Apesar das vantagens citadas, a pesquisa aponta obstáculos para ampliar o uso da IA nas PMEs. O principal deles é o desconhecimento sobre as soluções disponíveis, citado por 41,3% das empresas consultadas. Também figuram entre as barreiras a falta de profissionais ou equipes capacitadas (36,4%), preocupações com segurança e privacidade de dados (34,6%), o custo de implementação (31,2%), a falta de tempo para implantar as soluções (29,1%) e a dificuldade de adaptar a tecnologia à realidade do negócio (27,3%). Além disso, 38,8% dos empreendedores disseram não ter interesse em usar IA e 22% afirmaram não conhecer aplicações úteis para sua atividade. Ainda há espaço para ampliar o conhecimento Para o vice-presidente de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian, Cleber Genero, os dados mostram que ainda existe margem para difundir o conhecimento sobre as aplicações práticas da inteligência artificial no ambiente empresarial. Segundo ele, um dos maiores desafios é aproximar as soluções tecnológicas das necessidades reais das PMEs, facilitando a identificação de oportunidades para melhorar processos e ganhar eficiência. O que a pesquisa representa para empresas e profissionais Os resultados reforçam que a IA vem sendo incorporada aos poucos ao dia a dia das empresas, com foco na automação de atividades, na análise de informações e na produtividade. Para profissionais das áreas contábil, financeira e de gestão, o cenário indica uma demanda crescente por capacitação em ferramentas baseadas em IA, tanto para atender clientes quanto para otimizar a rotina dos escritórios. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a adoção da tecnologia ainda depende de treinamento e de maior divulgação de suas possibilidades, principalmente entre as pequenas empresas que ainda não enxergam aplicações compatíveis com o seu negócio.

Câmara adia votação do novo teto do MEI para depois do recesso
A atualização do teto de faturamento do MEI (Microempreendedor Individual) vai demorar um pouco mais para ser votada. O relator da proposta na Câmara, deputado Jorge Goetten, confirmou que o governo pediu um prazo de um mês para apresentar estudos técnicos sobre os impactos da mudança em todo o Simples Nacional — não só no MEI. A equipe econômica ainda resiste ao tema, e por isso a votação em plenário só deve acontecer depois do recesso parlamentar. O que muda, na prática, se a proposta passar O texto (PLP 108/21) corrige pelo IPCA (acumulado de 2012 a 2026) os limites de faturamento de todas as faixas do Simples Nacional: Categoria Limite atual Novo limite proposto MEI R$ 81 mil R$ 134 mil MEI caminhoneiro R$ 251 mil R$ 321 mil Microempresa (ME) R$ 360 mil R$ 800 mil Empresa de Pequeno Porte (EPP) R$ 4,8 milhões R$ 8 milhões Para o teto específico do MEI, o relator pretende seguir a mesma proposta de correção escalonada enviada pelo governo: R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 . O texto também deve permitir que o MEI contrate até dois funcionários. Sublimite do ICMS/ISS continua em R$ 3,6 milhões Aqui vai um ponto importante pra quem já fatura perto desse valor: o relator decidiu não mexer no sublimite de R$ 3,6 milhões usado para o recolhimento de ICMS e ISS. Essa decisão foi tomada para evitar resistência de estados e municípios, que temem perder arrecadação. Como fica hoje: se a empresa passa dos R$ 3,6 milhões mas continua abaixo do limite geral do Simples (R$ 4,8 milhões, que passaria a R$ 8 milhões), ela continua no Simples Nacional , só que passa a recolher ICMS e ISS fora do regime simplificado, seguindo as regras normais desses impostos. A novidade é que o relatório deve tornar esse sublimite facultativo — ou seja, cada estado decide se adota o valor de R$ 3,6 milhões ou não, preservando a arrecadação local e evitando entraves jurídicos. Combate à inadimplência: prazo pra exclusão do MEI cai de 12 para 3 meses Outra mudança prevista é a redução do prazo para exclusão do MEI por falta de pagamento: hoje são 12 meses de atraso para a exclusão automática; a proposta reduz esse prazo para 3 meses . A ideia é conter o endividamento crescente dentro do programa. Mecanismo de correção automática O relatório também deve criar uma regra de atualização automática das faixas do Simples Nacional, pra evitar que o reajuste dependa sempre de uma nova negociação política — como está acontecendo agora. Próximos passos Como o texto original veio do Senado e será alterado para incluir essas mudanças no Simples Nacional, depois de aprovado na Câmara ele precisa voltar para nova votação no Senado antes de seguir para sanção presidencial. O relator está otimista e acredita que, havendo acordo com a equipe econômica, o texto pode ser aprovado por unanimidade, dado o apoio do setor produtivo.

Cresce o interesse de empresas brasileiras por fábricas no Paraguai
Depois de nomes como Lupo e Döhler, mais empresas brasileiras estão de olho na possibilidade de abrir operação industrial no Paraguai. O principal atrativo é o Regime de Maquila : um imposto único de apenas 1% sobre o valor agregado localmente, isenção de imposto na importação de máquinas e matérias-primas, e lucros/dividendos que podem ser remetidos sem taxação. Além disso, o custo da mão de obra no Paraguai chega a ser até 30% mais baixo que no Brasil — segundo o Grupo Wyda, que já opera no país, a diferença pode chegar a 50%. Comparando a carga tributária (Mercosul): Paraguai Brasil Uruguai Argentina Imposto sobre valor agregado 10% 17% 22% 21% Renda pessoa jurídica 10% 34% 25% 35% Segundo a consultoria M360, 363 empresas operam sob o Regime de Maquila desde 2000, e o Brasil responde por 70% delas (254 empresas). A consultoria já assessorou cerca de 40 empresas brasileiras de médio porte nesse processo — mas agora, afirma, grandes grupos também começaram a avaliar o movimento, como Lupo (investiu R$ 30 milhões em planta de meias em 2025) e Döhler (vai abrir sua primeira fábrica fora do Brasil, no Paraguai). Outras marcas conhecidas, como Cacau Show, Bauducco e Ajinomoto, já buscaram informações, mas dizem não ter planos concretos no momento. Nem todo negócio se encaixa. Especialistas alertam que o movimento não serve para qualquer empresa — setores com logística mais sensível (como produtos perecíveis) podem inviabilizar a operação pelos custos de transporte refrigerado. Também há um fator concorrente: a própria Reforma Tributária brasileira, ao passar a cobrar o imposto onde ocorre o consumo (e não na sede da empresa), tende a reduzir esse tipo de vantagem baseada só em localização.